30 abril 2005




Tive análise hoje.

O relato da minha reaproxiamação com meus dois melhores-amigos da Era Cursinho acabou ensejando um desabafo contido, uma confissão cuspida, eu odeio ser mediadora entre minha mãe e minha madrasta (ou mulher-do-meu-pai pra não ficar tão folclórico). O grito veio tão do fundo que eu mal terminei a sessão de tão engasgada, a voz não saía, as palavras travavam, tosse, tosse, uma moeda de 50 centavos na garganta.

As meninas da minha classe combinaram uma balada só para meninas hoje. Me chamaram e tudo - eu recusei, recuso por princípio, é a falta de dinheiro, a falta de saco, a preguiça de achar lugar pra parar o carro e os flanelinhas ou a facada do estacionamento, o incômodo da fila do banheiro sempre sujo. Mas sabe, hoje quando as vi juntas, ti-ti-tis na aula de Opinião Pública, cheias de batom, entusiasmo, rímel e animação, me deu vontade de ir junto. Nem lembro a última vez que me acabei de dançar numa balada, fiquei bebinha, vi e fui vista.

Ainda veio o bichinho do ciúme e me mordeu, a Laura-que-entrou-na-classe-no-ano-passado dizendo pra Laura-que-é-minha-melhor-amiga-na-USP, deixa eu te devolver seu brinco, a Laura-que-ultimamente-eu-nem-sou-mais-a-primeira-a-saber-com-quem-ficou-na-festa diz pra ela deixar em cima da mesa no quarto quando passar na casa dela, e não esquece de pegar seu top de volta, onde eu tava quando elas começaram a emprestar coisas uma pra outra?

- Tchau, meninas, esbaldem-se na balada por mim!...
- Mi, porque você não vem com a gente?
- Viajo amanhã cedo, a falta de dinheiro...
- Ah, vem, te empresto o dinheiro... (essa é a Laura-que-acabou-de-chegar-na-turma-falando, vejam bem).

Eu queria ir. Mas não fui. Sabe porque? Nem eu.



 


.: Mirana soprou às 01:15 :. .: 0 ventos alheios :.

 

29 abril 2005




E eu gosto de meninos e meninas

Namoro uma mulher, gosto de ficar com homens (embora não o faça há algum tempo). Não sou lésbica, não sou hetero.

O sintagma que sobra, o meio-termo, é ao mesmo tempo indefinido demais e definitivo demais. Por isso, nunca gostei dele. Me incomodam as nomes de coisas que se definem pelo que não são, como "organização não-governamental" ou "anti-capitalista". Assim também não sou chegada àquilo que não diz nada porque diz tudo.

Mas aí hoje, num email quase monossilábico, provavelmente desapercebido pelas suas destinatárias, eu escrevi, e disse, e assumi pela primeira vez. Singelamente, discretamente, impossível de ser ignorado. Num simples adicionar de "(as)" ao final de uma palavra masculina.

Quando escrevi "nunca gostei muito de loiros(as)", comentando displicentemente a foto de um modelóide com biotipo germânico num grupo de amigas, eu tava na verdade dizendo que sou bissexual.



 


.: Mirana soprou às 23:55 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Recebido por email...

Flagrante dramático da fome que assola o Japão







 


.: Mirana soprou às 11:30 :. .: 0 ventos alheios :.

 

27 abril 2005




Meu Amanhã
Lenine

Ela é minha delicia
O meu adorno
Janela de retorno
Uma viagem sideral

Ela é minha festa
Meu requinte
A única ouvinte
Da minha rádio nacional

Ela é minha sina
O meu cinema
A tela da minha cena
A cerca do meu quintal

Minha meta, minha metade
Minha seta, minha saudade
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã


Ela é minha orgia
Meu quitute
Insaciável apetite
Numa ceia de natal

Ela é minha bela
Meu brinquedo
Minha certeza, meu medo
É meu céu e meu mal

Ela é o meu vício
E dependência
Incansável paciência
E o desfecho final

Minha meta, minha metade
Minha seta, minha saudade
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã


Meu fá, minha fã
A massa e a maçã
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã

Meu lá, minha lã
Minha paga, minha pagã
Meu velar, meu avelã
Amor em Roma, aroma de romã

O sal e o são
O que é certo, o que é sertão
Meu Tao, e meu tão...
Nau de Nassau, minha nação



 


.: Mirana soprou às 17:34 :. .: 0 ventos alheios :.

 

19 abril 2005




Eu sempre adoooro ler o blog da Gema.

Mas hoje, excepcionalmente, eu me acabei lendo isto, isto e isto.

(suspiro).
Queria escrever como ela.



 


.: Mirana soprou às 10:25 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Mamãe, eu tenho meda.

Se não tiver um fantasma arteiro metido no meio, de que outro jeito pode simplesmente de-sa-pa-re-cer uma chave de um chaveiro? Veja bem, uma chave tetra que morava junto com uma chave normal em uma argolinha do meu chaveiro. Como ela pode sumir e a outra continuar lá, linda e bela, e a argolinha intacta??

Não, ninguém mexe nesse chaveiro a não ser eu e desde que a vítima foi vista pela última vez, o chaveiro não saiu da minha bolsa.

Ai, arrepio. Meda, meda, meda.


UPDATE: Obviamente o primeiro lugar que eu vasculhei, quando dei falta da chave, foi a minha bolsa. Obviamente eu tirei todas as coisas de lá, esparramei a bagunça em cima da mesa e, obviamente, não estava lá. E quando eu vou pegar o meu isqueiro quase 5h depois, a chave aparece do nada na minha mão. Obviamente.



 


.: Mirana soprou às 10:19 :. .: 0 ventos alheios :.

 

18 abril 2005







 


.: Mirana soprou às 17:34 :. .: 0 ventos alheios :.

 

17 abril 2005




17 de abril.

Nasceu meu pai, que conheço há 25 anos e que de uns tempos pra cá parece que eu não conheço muito bem. Mas que eu amo como sempre, e busco entender mais do que nunca. Que me julga, me atormenta o juízo e depois me dá um abraço que só ele sabe dar, um abraço de pai que faz todas as coisas ruins do mundo ficarem lá longe por alguns instantes.

Nasceu a sobrinha mais linda do mundo, que a vida me deu de presente, que eu conheço há pouco tempo mas que me chama de "tia" com uma naturalidade que remonta séculos. Que eu não vejo sempre, mas que sempre me lembra que quando a gente menos espera, a aceitação plena e incondicional nos agarra com entrega, como uma criança de cinco anos.



 


.: Mirana soprou às 22:55 :. .: 0 ventos alheios :.

 





toda uma l e v e z a .

ah, como é bom sentar e conversar como adultos de vez em quando.
por mais que meus ouvidos ainda tenham que ser submetidos a alguns absurdos.



 


.: Mirana soprou às 22:52 :. .: 0 ventos alheios :.

 

15 abril 2005




Parece que a casca da concha começa a rachar.
Aguarde, mundo, parece que talvez exista uma chance de eu estar voltando à normal(real)idade.



 


.: Mirana soprou às 12:43 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Será que funciona?
Tomara!



 


.: Mirana soprou às 12:40 :. .: 0 ventos alheios :.

 

13 abril 2005




Veio na última página da minha revista predileta que recebi hoje.
Achei lindo, lindo.

Cântico IV

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.


Cecília Meireles



 


.: Mirana soprou às 21:50 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Ai ai.

O que era uma eventual distração para fugir do stress, e espairecer a cabeça nos dias de maior trânsito na Consolação, está virando um hábito. Talvez um vício, até.

Que exame de DNA, nada. Quer maior prova que somos gemas?

Mas confesso que ainda não consigo comprar esses livrinhos de "paixão, aventura, amor e romance" sem sentir que estou traindo profundamente todos os professores de literatura que tive na vida.



 


.: Mirana soprou às 21:44 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Desculpa-me. O sono foi pesado - como não era há algum tempo - e eu não ouvi o despertador tocar.



 


.: Mirana soprou às 11:11 :. .: 0 ventos alheios :.

 

12 abril 2005




Trabalhador da construção civil entra no 2º dia de paralisação em SP

Menos, é claro, no andar de cima do prédio onde eu trabalho.



 


.: Mirana soprou às 16:17 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Quando olhei no espelho hoje de manhã tive uma certeza:
Vou comprar meu primeiro creme anti-rugas. Logo.

Alguém tem indicações?



 


.: Mirana soprou às 14:47 :. .: 0 ventos alheios :.

 








 


.: Mirana soprou às 10:35 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Na essência, somos todos incoerentes.

Clap clap clap. Falou e disse.
(Ele sempre fala e diz).



 


.: Mirana soprou às 10:04 :. .: 0 ventos alheios :.

 

11 abril 2005




Ainda bastante abalada pelo susto bancário que tomei logo de manhã, em jejum, a caminho de ir fazer um exame de sangue, resolvi fazer desta uma segunda light e fui alugar um DVD. Afinal tem que ter algum lado bom em trabalhar meio período por meio salário. Cogitei "Sobre meninos e lobos", peguei a 1a temporada de "Six Feet Under" na mão mas acabei levando "De repente 30" (pra ficar no clima sessão da tarde).

Big, big mistake.

Sendo o tema da minha semana "Amadurecimento Instantâneo: mito ou necessidade?", porque diabos fui ver esse filme? Quando terminou (achei marromenos) eu subi pro meu quarto - que está a pura zona - foi inevitável...

...uma menina de 13 anos que fica com 30 de uma hora pra outra consegue consertar a própria vida, e eu que estou aqui todo dia comigo mesma não consigo nem pagar as contas do mês!

Todo um drama, é verdade. Mas eu sou sagitariana e posso.



 


.: Mirana soprou às 17:40 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Isso explica algumas coisas...

Sol na casa 5, lua na casa 6
Entre os dias 11/04 (hoje) e 14/04, o Sol transitará pela Casa 5 do seu mapa astrológico, enquanto que a Lua transita pela sexta casa. A conflito aqui é: você quer se divertir, relaxar, ter prazer, mas a Lua solicita que você procure dar um pouco mais de atenção às necessidades do seu corpo, e também organizar melhor sua vida. Como está sua alimentação? Você está precisando de uma massagem? Há algo em seu corpo lhe incomodando, em termos de saúde ou de estética? Abusou demais nos últimos dias? Todas estas questões são levantadas pela Lua, e não há melhor período para cuidar de tudo isso do que este!

Fonte

...mas a vontade de cuidar dessas coisas veio faltando no pacote.



 


.: Mirana soprou às 17:30 :. .: 0 ventos alheios :.

 





Gente, tem um pedreiro na minha casa que é a cara do Morgan Freeman...!



 


.: Mirana soprou às 17:01 :. .: 0 ventos alheios :.

 

 


Mirana é uma existência efêmera nesse planeta, e isso a perturba um pouco, mas antes isso do que ser eterna. É relações públicas, finalmente graduada, enquanto deseja secretamente ser escritora de guias de viagem e/ou acrobata. Para viver precisa freqüentemente ler bons livros e dançar. Tem uma mãe sazonal, uma irmã essencial e um pai de quem não ouve mais falar, e vive bem assim, obrigada. É preguiçosa crônica, em tratamento, e tem apresentado sintomas claros de dependência do seu iPod. Guarda duas dúzias de pessoas no coração, e sempre se arrepende quando deixa passar muito tempo sem vê-las. Ama contemplar longamente o pôr-do-sol, o mar e a chuva. Já quis ter 42 anos, hoje vive bem com seus 30, mesmo se sentindo às vezes uma adolescente ingênua e espevitada, às vezes uma velha cansada e rabugenta. Tem TPM, mas nega até a morte. Vive em guerra com a balança e é preciso admitir que anda perdendo as últimas batalhas. Pretende ainda ter gatos e filhos, mas no momento declina da resposabilidade pela vida de outros. Veio ao mundo com uma missão pessoal e intransferível: ser feliz.




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